Governo Federal Define Regras Éticas para Autoridades no Carnaval
O cenário festivo do Carnaval brasileiro não isenta os ocupantes de cargos públicos de seus deveres éticos e legais. Em um movimento preventivo, a Secretari...
O cenário festivo do Carnaval brasileiro não isenta os ocupantes de cargos públicos de seus deveres éticos e legais. Em um movimento preventivo, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República divulgou diretrizes rigorosas para a conduta de autoridades federais durante os festejos deste ano. A medida surge após uma consulta formal à Comissão de Ética Pública (CEP), recomendada pela Advocacia-Geral da União (AGU). O objetivo é blindar a administração pública contra possíveis questionamentos jurídicos e assegurar que a imagem das instituições seja preservada, respeitando tanto a legislação administrativa quanto as normas eleitorais vigentes. O Rigor contra o Conflito de InteressesUm dos pontos centrais da nota emitida é a proibição do aceite de convites provenientes de empresas e pessoas jurídicas com fins lucrativos. A regra é clara: se a empresa em questão possui interesses em decisões regulatórias, mantém contratos diretos ou é afetada por políticas públicas geridas pelo órgão da autoridade convidada, o convite deve ser recusado. Essa diretriz visa impedir que camarotes e eventos privados se tornem ambientes de negociações escusas ou que a presença da autoridade configure um favorecimento implícito a determinados grupos econômicos. Custos Pessoais e Transparência na AgendaO Governo Federal também reiterou a proibição do uso de recursos públicos para fins privados. Diárias e Passagens: É expressamente proibido o recebimento de diárias ou passagens custeadas pelo erário para eventos de cunho estritamente pessoal. e-Agendas: Caso a autoridade esteja cumprindo uma função institucional real durante o período, a atividade deve ser obrigatoriamente registrada no sistema e-Agendas, garantindo a transparência exigida pela Lei de Conflito de Interesses. A Comissão de Ética enfatiza que, mesmo em momentos de lazer, o agente público não se desprende do seu dever de observar os princípios da moralidade e da integridade administrativa. Atenção ao Calendário EleitoralCom a proximidade de períodos eleitorais, a recomendação da Secom traz um alerta específico sobre a propaganda antecipada. As autoridades foram orientadas a evitar manifestações em palcos, trios elétricos ou eventos culturais que possam ser interpretadas como solicitado de voto ou veiculação de conteúdo eleitoral. O descumprimento dessas normas pode acarretar sanções administrativas e multas aplicadas pela Justiça Eleitoral, além de comprometer a legitimidade de futuras candidaturas. A iniciativa da Presidência da República busca estabelecer um limite nítido entre o prestígio do cargo e o usufruto pessoal das festividades. Ao consultar a Comissão de Ética e a AGU, o Governo Federal tenta mitigar riscos de imagem e garantir que o Carnaval seja, para os gestores públicos, um período de descanso ou representação institucional devidamente regrada, e não um espaço para privilégios indevidos.