Marcha de 8 de Março entrega manifesto ao governo com pautas sobre aborto, escala 6x1 e democracia
A Articulação Nacional da Marcha de 8 de Março, formada por 42 organizações e movimentos de defesa dos direitos das mulheres, entregou ao governo federal u...
A Articulação Nacional da Marcha de 8 de Março, formada por 42 organizações e movimentos de defesa dos direitos das mulheres, entregou ao governo federal um manifesto com as principais reivindicações da mobilização deste ano. O documento foi apresentado na quinta-feira, 5 de março de 2026, à ministra das Mulheres, Márcia Lopes. Além de pautas históricas do movimento feminista, como a garantia de direitos básicos e a ampliação do acesso ao aborto legal, o texto também faz críticas ao imperialismo, ao avanço da extrema direita e ao uso de tecnologias digitais para disseminação de violência e discursos de ódio. No manifesto, a articulação afirma que a mobilização tem caráter internacionalista e sustenta que a luta das mulheres está ligada à capacidade histórica de auto-organização. O documento cita ainda interferências dos Estados Unidos em outros países, ameaças bélicas e ataques cibernéticos como formas de dominação que aprofundam desigualdades sociais, raciais e de gênero. Manifesto reúne críticas à violência, ao racismo e à precarização do trabalho As organizações declaram que as manifestações do 8 de Março são convocadas em defesa das mulheres trabalhadoras da cidade, do campo, das florestas e das águas, além de mulheres negras, indígenas, quilombolas, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis, mães solo, migrantes, jovens, idosas e meninas. O texto também protesta contra o racismo, a violência policial, a intolerância religiosa, o controle sobre os corpos femininos e a insegurança alimentar. Outro ponto destacado é a precarização das relações de trabalho, em meio à repercussão das reivindicações pelo fim da escala 6x1. Movimento relaciona crise climática a modelo de exploração No documento, as entidades afirmam que a crise climática não pode ser dissociada do atual modelo econômico. Segundo o manifesto, a destruição predatória dos territórios e a mercantilização da natureza e dos corpos das mulheres fazem parte da mesma lógica de exploração. A articulação também vincula o enfrentamento às opressões à defesa da democracia, da soberania e da justiça social. Nesse contexto, o manifesto defende a taxação das grandes fortunas como uma medida necessária para reduzir desigualdades e sustentar a construção de um país mais justo. Atos do 8 de Março estão previstos em várias cidades Ao todo, estão previstas 34 manifestações entre os dias 6 e 9 de março em diferentes municípios do país. Na cidade de São Paulo, o ato está marcado para domingo, 8 de março, com concentração às 14h em frente ao Fórum Pedro Lessa, nas proximidades do Masp.