O desafio de psiquiatras diante de adolescentes que buscam rótulos em IA

O cenário nos consultórios de psiquiatria infantojuvenil está passando por uma transformação significativa. Profissionais do setor relatam um aumento expre...

O desafio de psiquiatras diante de adolescentes que buscam rótulos em IA
O desafio de psiquiatras diante de adolescentes que buscam rótulos em IA (Foto: Reprodução)

O cenário nos consultórios de psiquiatria infantojuvenil está passando por uma transformação significativa. Profissionais do setor relatam um aumento expressivo no número de adolescentes que chegam às consultas com diagnósticos preestabelecidos, como transtorno bipolar, TDAH ou transtorno de personalidade borderline. Esse fenômeno, impulsionado por algoritmos de redes sociais e respostas geradas por inteligência artificial, levanta discussões profundas sobre a medicação da adolescência e a busca por identidade por meio de rótulos clínicos. Para a psiquiatria, essa tendência reflete uma tentativa de explicar angústias inerentes à fase de desenvolvimento mediante patologias. Muitos jovens transformam crises existenciais típicas em quadros médicos sem qualquer respaldo profissional formal. 'Estão buscando o quem sou eu no que eu sofro', destacando que o autodiagnóstico tornou-se instantâneo e onipresente. O risco, segundo um especialista, onde a angústia existencial é imediatamente enquadrada como uma doença psiquiátrica.A tecnologia também introduziu a dinâmica da 'segunda opinião' automatizada. O psiquiatra Pedro Kestelman, presidente da Associação Argentina de Psiquiatria Infantojuvenil, observa que adolescentes utilizam chatbots de IA para validar ou contestar as orientações recebidas no consultório. Embora as ferramentas possam oferecer respostas rápidas, Kestelman ressalta que diagnósticos feitos por questionários automatizados precisam ser contextualizados por uma avaliação clínica ampla, uma vez que a IA carece da sensibilidade necessária para interpretar nuances emocionais complexas. Apesar dos riscos, há perspectivas que enxergam um lado construtivo na tendência. A psiquiatra Juana Poulisis acredita que o fato de os jovens chegarem mais informados pode facilitar a adesão ao tratamento, desde que a informação digital seja tratada apenas como uma ferramenta preliminar. O desafio central para a medicina moderna reside em diferenciar sintomas transitórios de transtornos clínicos que exigem intervenção, garantindo que o sofrimento emocional receba o suporte adequado sem que a identidade do jovem seja precocemente reduzida a um diagnóstico.

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