Operação Compliance Zero: decisão do STF detalha grupo ligado a Daniel Vorcaro para monitorar rivais

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou uma nova fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, descreve a atuação de...

Operação Compliance Zero: decisão do STF detalha grupo ligado a Daniel Vorcaro para monitorar rivais
Operação Compliance Zero: decisão do STF detalha grupo ligado a Daniel Vorcaro para monitorar rivais (Foto: Reprodução)

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou uma nova fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, descreve a atuação de um grupo informal chamado “A Turma”. Segundo a investigação, a estrutura teria sido utilizada para monitorar e pressionar pessoas consideradas adversárias do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, preso novamente no âmbito da apuração. Entre os nomes citados está o de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado pelos investigadores pelo apelido de “Sicário”. De acordo com a Polícia Federal, Mourão desempenharia papel relevante na organização das atividades atribuídas ao grupo. Papel de coordenação nas ações de vigilância A decisão judicial aponta que Mourão seria responsável por coordenar ações de vigilância, levantar informações e acompanhar pessoas consideradas rivais ou críticas ao empresário. Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que ele atuaria como articulador das atividades da chamada “Turma”, formada por pessoas próximas ao banqueiro e por integrantes com experiência na área de segurança. Estrutura teria financiamento mensal As conversas apreendidas pela Polícia Federal também apontam a existência de um financiamento mensal para manter as atividades do grupo. Segundo os investigadores, os recursos poderiam chegar a aproximadamente R$ 1 milhão por mês, valor destinado ao custeio das operações de monitoramento e ao pagamento dos integrantes envolvidos. Em diálogos citados na decisão do STF, Mourão afirma que os valores eram repassados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e posteriormente distribuídos entre os participantes da equipe. Investigação cita policial federal aposentado. Além de Mourão, a apuração menciona a participação do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que também teria integrado a estrutura investigada. Para a Polícia Federal, os elementos reunidos até o momento indicam a possível existência de uma rede privada de vigilância e pressão, voltada à coleta de informações e ao acompanhamento de pessoas relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master. Medidas autorizadas pelo STF Com base nos indícios reunidos durante as investigações, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra investigados na nova etapa da operação. A decisão também menciona indícios de tentativa de interferência nas apurações, fator que teria motivado a adoção das medidas cautelares. A Operação Compliance Zero está na terceira fase e investiga suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos envolvendo pessoas ligadas ao banqueiro. Além das prisões e buscas, também foi determinado o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, além de outras medidas contra investigados citados no processo. Defesa de Vorcaro se manifesta. Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e colaborou com as investigações desde o início. Segundo os advogados, Vorcaro “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”. A defesa também declarou que nega as acusações atribuídas ao banqueiro e que confia que o esclarecimento dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta, reiterando confiança no devido processo legal e no funcionamento das instituições.

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